De olho em Hillary Clinton 2016
Mar 27th, 2009 | Por PicturaPixel | Categoria: Camila Viegas-Lee, Colaboradores
Por Camila Viegas-Lee
Essa semana o New York Times publicou um perfil da Senadora Kirsten Gillibrand dizendo que os eleitores da Hillary Clinton esperavam que ela se candidate em 2016. Quando a conheci, em 2005, na cerimônia do Prêmio Internacional Emmy, ela era apenas uma das senadoras de Nova York, mas havia uma eletricidade no ar. Ajudei a traduzir a conversa dela com a atriz mirim Carolina Oliveira que havia sido nomeada. E foi excitante falar com ela. Todos sabiam de suas aspirações presidenciais e já estavam planejando votar nela em 2008.

Mas a campanha de 2007/2008 matou qualquer chance de Hillary se eleger presidente.
Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum que promove o uso de tecnologia na política, tem uma boa explicação para o que aconteceu no ano passado. Para ele, Hillary é uma excelente comunicadora política… para a era da TV. Ela conta com 30 anos de prática falando de maneira clara e direta para as câmeras. Sem gaguejar, sem titubear, direto ao ponto. Esse foi o primeiro “erro”. A nova geração de eleitores, que colhe informação online, confia mais nas imperfeições de discurso de quem pausa no meio da frase e intercala palavras com “humm”. Isso é o que soa natural e verdadeiro aos ouvidos de um público que grava vídeos caseiros.
E ainda mais importante: Hillary perdeu para Obama porque não investiu na internet “com medo de perder o controle”. É difícil se sentir confortável com a vertiginosa sensação de delegar a própria imagem. E evitando o meio, acabou dando um tiro no pé.
Todos os candidatos estavam anunciando suas campanhas online e Hillary resolveu fazer o mesmo. Mas seu anúncio começava dizendo que ela queria ter uma “conversa” e não indicava nenhum chat, fórum, ou blog para “conversar”. Um editor de video em Los Angeles, Phil De Vellis ficou furioso porque até o email da campanha dela enviava respostas automáticas. Hillary sentou num sofá e se dirigiu ao público como se estivesse na televisão. Mas internet é diferente.
Em março de 2007, De Vellis postou no YouTube uma adaptação anônima da famosa propaganda para o lançamento do primeiro Macintosh em 1984. No vídeo de De Vellis, Hillary fala palavras vazias à um exército de pessoas robotizadas até que uma mulher quebra seu discurso e expõe a ditadura imaginada por Orwell.
Aqui está a propaganda original:
E aqui está o vídeo Hillary 1984 criado por De Vellis:
Quando foi descoberto pelo blog The Huffington Post, De Vellis perdeu o emprego e ganhou reconhecimento nacional. Até então, Hillary tinha o dobro das intenções de voto de Obama mas depois do vídeo circular, sua popularidade começou a cair.
Hillary 1984 fez tanto sucesso no YouTube (visto hoje por 5,7 milhões de pessoas) que acabou migrando para a televisão. E a televisão levou mais gente ainda para o computador. E foi naquele momento que sua imagem passou de mulher experiente e trabalhadora para velha intransigente e intolerante, provando que a campanha havia se tornado uma batalha de gerações entre as políticas
do século 20 e as do século 21.
Hillary não tem chance em 2016, 2020, 2024. Só 1984.
Essa semana o New York Times publicou um perfil da Senadora Kirsten Gillibrand dizendo que os eleitores da Hillary Clinton esperavam que ela se candidate em 2016. Quando a conheci, em 2005, na cerimônia do Prêmio Internacional Emmy, ela era apenas uma das senadoras de Nova York, mas havia uma eletricidade no ar. Ajudei a traduzir a conversa dela com a atriz mirim Carolina Oliveira que havia sido nomeada. E foi excitante falar com ela. Todos sabiam de suas aspirações presidenciais e já estavam planejando votar nela em 2008.
Mas a campanha de 2007/2008 matou qualquer chance de Hillary se eleger presidente.
Andrew Rasiej, fundador do Personal Democracy Forum que promove o uso de tecnologia na política, tem uma boa explicação para o que aconteceu no ano passado. Para ele, Hillary é uma excelente comunicadora política… para a era da TV. Ela conta com 30 anos de prática falando de maneira clara e direta para as câmeras. Sem gaguejar, sem titubear, direto ao ponto. Esse foi o primeiro “erro”. A nova geração de eleitores, que colhe informação online, confia mais nas imperfeições de discurso de quem pausa no meio da frase e intercala palavras com “humm”. Isso é o que soa natural e verdadeiro aos ouvidos de um público que grava vídeos caseiros.
E ainda mais importante: Hillary perdeu para Obama porque não investiu na internet “com medo de perder o controle”. É difícil se sentir confortável com a vertiginosa sensação de delegar a própria imagem. E evitando o meio, acabou dando um tiro no pé.
Todos os candidatos estavam anunciando suas campanhas online e Hillary resolveu fazer o mesmo. Mas seu anúncio começava dizendo que ela queria ter uma “conversa” e não indicava nenhum chat, fórum, ou blog para “conversar”. Um editor de video em Los Angeles, Phil De Vellis ficou furioso porque até o email da campanha dela enviava respostas automáticas. Hillary sentou num sofá e se dirigiu ao público como se estivesse na televisão. Mas internet é diferente.
Em março de 2007, De Vellis postou no YouTube uma adaptação anônima da famosa propaganda para o lançamento do primeiro Macintosh em 1984. No vídeo de De Vellis, Hillary fala palavras vazias à um exército de pessoas robotizadas até que uma mulher quebra seu discurso e expõe a ditadura imaginada por Orwell.
Aqui está a propaganda original:
E aqui está o vídeo Hillary 1984 criado por De Vellis:
Quando foi descoberto pelo blog The Huffington Post, De Vellis perdeu o emprego e ganhou reconhecimento nacional. Até então, Hillary tinha o dobro das intenções de voto de Obama mas depois do vídeo circular, sua popularidade começou a cair.
Hillary 1984 fez tanto sucesso no YouTube (visto hoje por 5,7 milhões de pessoas) que acabou migrando para a televisão. E a televisão levou mais gente ainda para o computador. E foi naquele momento que sua imagem passou de mulher experiente e trabalhadora para velha intransigente e intolerante, provando que a campanha havia se tornado uma batalha de gerações entre as políticas
do século 20 e as do século 21.
Hillary não tem chance em 2016, 2020, 2024. Só 1984.
