Especial

Retratos Brasileiros

Jan 23rd, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial



Por Fifi Tong

ESTE LIVRO NASCEU DE UM BAÚ DE LACA CHINESA. UM BAÚ ANTIGO ONDE GUARDAVA VESTIDOS BORDADOS TRADICIONAIS DE MINHA FAMÍLIA, HERDADOS DE MINHA MÃE, VIVIAN TING TONG, E DE MINHA AVÓ, TING HENG FENG. UMA FOTOGRAFIA DESPRETENSIOSA, ACHEI QUE PODERIA FAZER UMA IMAGEM BONITA COM OS VESTIDOS, ENVOLVENDO QUATRO GERAÇÕES DE MULHERES.



A REVELAÇÃO DOS NEGATIVOS ME TROUXE A IDEIA DO LIVRO: AS GERAÇÕES, A FORÇA DA GENÉTICA SE MOSTRANDO NOS TRAÇOS, UMA FAMÍLIA EXPRESSA EM SUA ORIGEM, UM MODO DE SER SE PERPETUANDO NO TEMPO. OS TRAÇOS E OS VESTIDOS MARCAVAM NOSSAS RAÍZES E NAQUELE MOMENTO ME PERGUNTEI O QUANTO ME SENTIA CHINESA.
TIVE UMA EDUCAÇÃO MUITO OCIDENTAL: NASCI NO BRASIL, FIZ MINHA FORMAÇÃO DE FOTOGRAFIA NOS ESTADOS UNIDOS, MAS HAVIA EM MIM SEMPRE UMA LEMBRANÇA DAS NOSSAS TRADIÇÕES DE ORIGEM, COSTUMES DE QUE NÃO ABRÍAMOS MÃO.




CRENÇAS QUE VOCÊ ADOTA QUANDO CRIANÇA: NUNCA USAR SAPATO BRANCO OU FLOR BRANCA NA CABEÇA, PORQUE BRANCO É LUTO. RESPEITAR O COSTUME DE OS MAIS VELHOS SE SERVIREM PRIMEIRO. NUNCA DAR GUARDA-CHUVA, FACA OU RELÓGIO DE PRESENTE. A SONORIDADE DESTAS PALAVRAS EM CHINÊS É MUITO SEMELHANTE ÀS EXPRESSÕES DE MÁ SORTE E MORTE. MINHA INFÂNCIA FOI, ENTÃO, POVOADA POR TRADIÇÕES CHINESAS QUE SE MESCLAVAM COM O JEITO BRASILEIRO, CRIANDO FRUTOS DA MISTURA.



O BALANÇO ENTRE A FORÇA DA RAIZ EM SUA ORIGEM E O ENCANTAMENTO PELA NOVA TERRA. PARA QUE LADO O PÊNDULO IRIA?



EU POSSO FALAR QUE MEUS PAIS SE ADAPTARAM MUITO RÁPIDO – QUARENTA E QUATRO ANOS DEPOIS DE PARTIREM DA CHINA REGRESSARAM PARA SUA CIDADE NATAL, XANGAI. OS DOIS VIRAM AS CASAS ONDE PASSARAM A INFÂNCIA TRANSFORMADAS EM FÁBRICAS. SENTIRAM-SE ESTRANGEIROS. QUE FORÇA É ESSA QUE ENVOLVE, ENLAÇA E TRANSFORMA ESTRANGEIROS EM BRASILEIROS? TODAS ESSAS QUESTÕES SURGIRAM À MEDIDA QUE IA FAZENDO AS FOTOS DE FAMÍLIAS, MUITAS DELAS, COMO A MINHA, VINDAS DE LONGE.



NO INÍCIO PROCURAVA FAMÍLIAS PELA INDICAÇÃO DE AMIGOS: CONHECIA AS PESSOAS, CONVERSAVA, RESOLVIA SE IA FOTOGRAFAR OU NÃO. IDAS E VINDAS, PARADAS E RETOMADAS. HORAS E HORAS OLHANDO OS NEGATIVOS: VINHA A QUESTÃO DA GENÉTICA MUITO FORTEMENTE – MEUS FOTOGRAFADOS CARREGAVAM TRAÇOS NO TEMPO. PASSEI A BUSCAR FAMÍLIAS COM MUITAS GERAÇÕES E AMPLIEI MEU PROJETO PARA OUTROS ESTADOS DO BRASIL. O LIVRO FOI SE FORMANDO: A GENÉTICA, A DESCENDÊNCIA, AS FAMÍLIAS FALANDO SOBRE ELAS MESMAS.



ALÉM DE TRAÇOS NO TEMPO E DE HISTÓRIAS FAMILIARES, FUI ME DEPARANDO COM LEGADOS HUMANOS: A ÉTICA, A SOLIDARIEDADE, A GENEROSIDADE. ESSA HERANÇA DE COMPORTAMENTO E DE VISÕES DE MUNDO MUITAS VEZES VINHAM À TONA NAS FOTOS OU NAS CONVER•SAS SOBRE AS ORIGENS E OS PERCURSOS DOS FOTOGRAFADOS. UM LEGADO INESTIMÁVEL: AQUILO QUE SOMOS. ROSTOS, TRAÇOS, GESTOS E TREJEITOS. SOMOS SERES DE REPETIÇÃO. REINVENTANDO O OUTRO QUE VEIO ANTES DE NÓS.



DAÍ A ESCOLHA POR FAZER FOTOS CLÁSSICAS, PORTRAITS EM ESTÚDIO (QUASE SEMPRE), USANDO UMA CÂMARA DE MÉDIO FORMATO. A DEFINIÇÃO QUE UM NEGATIVO TRAZ PARA A IMAGEM, A QUASE SOLENIDADE DAQUELES REGISTROS TRADUZEM A ADMIRAÇÃO E A IMPORTÂNCIA QUE ATRIBUO ÀS FAMÍLIAS.



AGRADEÇO A TODAS AS FAMÍLIAS QUE PACIENTEMENTE SE POSTARAM DIANTE DE MIM E ME CONFIARAM SUAS HISTÓRIAS, QUE TANTO ME EMOCIONARAM. MESMO PASSADOS QUINZE ANOS DESDE O INÍCIO DESTE TRABALHO ME LEMBRO DAS PARTICULARIDADES DE CADA FAMÍLIA, DE SUAS ALEGRIAS, DE SUAS DIFICULDADES. NOS RELATOS É MARCANTE COMO A CAPACIDADE DE UNIR, REUNIR E MANTER AGREGADA UMA FAMÍLIA É SEMPRE PONTUADA COMO O TRAÇO MAIS FORTE, MAIS DESEJADO. AS FAMÍLIAS QUEREM ESTAR UNIDAS.



PARA OS CHINESES, O VERMELHO E O DOURADO SÃO AS CORES DA FELICIDADE. SEMPRE USADAS EM CASAMENTOS E ANIVERSÁRIOS. O VERMELHO TAMBÉM SIMBOLIZA O SANGUE, QUE, IRREFUTÁVEL, VAI MARCANDO TRAÇOS E ESCREVENDO HISTÓRIAS, PERSONAGENS TÃO IGUAIS E TÃO DIFERENTES INFINITAMENTE, HISTÓRIAS SE REPETINDO E SE RECONTANDO NO TEMPO.


Fotos © Fifi Tong

POST SCRIPTUM

Essa é a única nota em “caixa alta” de Pictura Pixel. Não é normal. Claro, tudo aqui é especial!
Fifi Tong aportou aqui via dica de Hans Georg.
Venga!
Pictura agradece, como sempre.



Fótografos do Povo

Jan 19th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Quem sou eu:

Paulo Barros, 22 anos, mora na Baixa do Sapateiro, no Complexo da Maré, desde que nasceu.
O primeiro contato com a fotografia, curiosamente, foi por intermédio da Banda de Rock Veneta, que hoje é o tema do projeto de conclusão do curso. Na época, Paulo ficou responsável por registrar os show da banda com uma câmera digital. A partir daí o interesse pela fotografia aumentou e esse ano Paulo teve a oportunidade de cursar a Escola de Fotógrafos Populares da Maré.




Meu projeto:

Meu projeto é a documentação das apresentações da banda de rock Veneto, que é formada por integrantes que tem algum tipo de relação com a comunidade da Maré. Estou tentando fazer um paralelo entre a Maré e o rock.
A idéia começou a partir de um bate-papo que eu tive com o Ratão (Ratão Diniz é fotógrafo, ex-aluno da Escola de Fotógrafos Populares), quando eu falava com ele da minha vontade de desenvolver alguma coisa relacionada à música e abordar como ela poder de mudança na vida das pessoas. Eu já tinha até uma idéia de quais seriam os personagens, mas aí o Ratão me disse que conhecia uma banda de Rock aqui da comunidade, que era legal eu fotografar os caras. Mais tarde fui descobrir que a banda em questão era a Veneta, a mesma que acompanhei de 2005 e 2007, então resolvi retomar o contato com os caras e falei da minha proposta de desenvolver meu projeto com eles. Comecei então a acompanhar os ensaios que eles fazem no Sobrado, que é um espaço aqui na Maré que realiza diversas atividades culturais e que possui um estúdio onde as bandas locais podem ensaiar.
O meu principal propósito com o projeto é quebrar um pouco a idéia de que a galera de favela não pode fazer um som de qualidade, que compete com as outras bandas fora de comunidades, que aqui na Maré tem muita gente com capacidade, que escreve bem, toca bem. Também pretendo esclarecer, tirar da cabeça das pessoas esse estereótipo que rockeiro é tudo maluco, mostrar o lado humano e a versatilidade dessas pessoas.













Fotos © Paulo Barros

Escola de Fotógrafos Populares

O objetivo que norteia o trabalho da Escola de Fotógrafos Populares vai além de iniciar jovens no ofício da fotografia e articular seu ingresso no mercado de trabalho. O foco crítico consiste em formar documentaristas fotográficos capazes de desenvolver um trabalho de registro dos espaços populares, re-visitando a história de suas comunidades e estimulando a afirmação de seus vínculos identitários, assim como a legitimação de suas trajetórias de vida no espaço mais amplo da cidade.

Repito o que escrevi na nota do Chapolin, o primeiro dos fotógrafos populares a aportar aqui em Pictura Pixel…

Marizilda Cruppe fez a ponte e Ratão Diniz enviou as fotos. Chapolin é só o primeiro a aportar aqui. Outros virão. Pictura agradece e parabeniza a galera da Imagens do Povo pelo belíssimo trabalho. Simplesmente emocionante!

Sete Fotógrafos do Povo



Fótografos do Povo

Jan 18th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

A autora

Monara Barreto tem 19 anos, mora no Complexo do Alemão desde que nasceu e entrou em contato com a fotografia pela primeira vez ao participar do curso Memórias do PAC, que pretende documentar as obras do governo Federal em algumas comunidades do Rio de Janeiro através do registro fotográfico dos próprios moradores. Foi a partir dessa experiência que então resolveu ingressar no curso de fotografia da Escola de Fotógrafos Populares, na Maré. Hoje, Monara participa de outra documentação das obras do PAC no Complexo no Alemão, mas desta vez é como participante do Coletivo Multimídia Favela em Foco, formado por integrantes da EFP.



O projeto

Ainda não decidi se o nome será Quem faz arte ou A arte do artista. O projeto é o registro da vida de dois artistas diferentes e a relação entre esses personagens e suas artes.
A primeira coisa que pensei quando comecei a elaborar o projeto é que meu tema seria arte. No princípio, a minha idéia era fazer uma documentação sobre vários tipos de artistas, de diversas áreas diferentes, mas um dia o Ripper me deu a idéia de focar meu trabalho em dois artistas apenas. Durante essa minha preparação, eu estava fazendo um curso de fotografia no Complexo do Alemão, o Memórias do PAC, e lá eu conheci um ativista ambiental que se chama Luiz. Um dia fui visitar a ONG que ele mantinha lá no Engenho da Rainha e descobri que ele também escrevia poesias e decidi que ele seria um dos meus personagens. E o segundo personagem é o pintor Elvis Almeida. Com Elvis foi mais fácil pois eu já conhecia seu trabalho por ele ser meu primo.
A minha principal proposta neste projeto é mostrar que apesar de diferentes ferramentas, há uma fusão completa entre dois artistas de estilos diferentes e eles estão ligados com o simples uso das mãos como ferramenta de criação.













Fotos © Monara Barreto

Fotógrafos do Povo



Fotógrafos do Povo

Jan 17th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

A autora

Joelma Capozzi, 32 anos, é paulista da Zona Leste mas há dois anos foi morar em Alfenas, no interior de Minas, e durante esse ano, por conta do curso na Escola de Fotógrafos Populares, está morando na Maré. Foi nesse itinerário que Jô conheceu Ratão Diniz, fotógrafo e ex-aluno da EFP, com quem começou a namorar e quem cedeu a casa na comunidade para a companheira pudesse completar o curso. Foi Ratão, inclusive, que introduziu Joelma na fotografia e a apresentou à EFP, na qual começou a participar como ouvinte até que surgisse a oportunidade de cursar efetivamente a escola. Seus planos agora, com a conclusão do curso, é voltar pra Minas, buscar seus dois filhos, para então ficar definitivamente no Rio de Janeiro, onde acredita poder desenvolver e se aprimorar ainda mais na fotografia.



O projeto

Meu projeto se chama A arte do Máfia 44, e é sobre um grupo de grafiteiros composto por 6 meninos (Davi, Gut, Daniel, Bata, Mutante e Pacato) de Niterói e São Gonçalo.
Quando eu morava em São Paulo, eu enxergava o grafitte como vandalismo e tinha bastante preconceito em relação aos praticantes. Só que através do Ratão, que também desenvolve trabalhos com vários grafiteiros, conheci esse grupo de meninos e comecei a perceber o equívoco da minha opinião em relação ao grafitte. Decidi então documentar não só a atividade dos meninos, mas também o que cada um faz quando não está grafitando, suas famílias, suas vidas pessoais.
Desde que comecei a desenvolver esse projeto, criei um laço tão forte de amizade com os meninos, que sempre que vou fotografá-los, eles se preocupam com meu almoço, minha passagem, onde vou ficar. Em retribuição, em janeiro eles estarão visitando uma exposição de garfitte no MASP e aproveitando a oportunidade para conhecer o cenário artístico e cultural de São Paulo, então eu ofereci a casa da minha mãe como estadia durante o tempo que eles ficarem lá.
Este é um projeto que pretendo levar para além da Escola e continuar documentando esses meninos, divulgando a arte deles. Tenho até planos de iniciar meus filhos no grafitte.
Minha principal intenção com esse projeto é revelar para as pessoas – assim como foi revelado para mim – o lado humano desses grafiteiros, na tentativa de acabar com o preconceito existente a respeito dessa arte e seus praticantes.













Fotos © Joelma Capozzi

Fotógrafos do Povo



Fotógrafos do Povo

Jan 16th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

O autor

Lúcio Enrico se considera um desvio na turma que está se formando pela Escola de Fotógrafos Populares neste ano. Quando todos procuravam na EFP um lugar para aprender ou aprimorar suas técnicas fotográficas, Enrico chegava cheio de curiosidade para descobrir o que estava por trás do projeto e identificação com as ideologias da Escola que foram apresentadas a ele por Francisco Valdean (ex-aluno da escola e hoje colaborador do projeto), numa das palestras do projeto Marco Universal, realizada pelo SESC Tijuca, em 2008.
Hoje com 30 anos e envolvido com movimentos de cultura popular desde a infância (já fez teatro e dança popular), Enrico encontrou na fotografia uma forma de registrar essas manifestações e de se aprofundar nas histórias que existem por trás das lentes.




O Projeto

Pela Tua Palavra – Dona Elza

Como meu projeto de vida é o estudo e aprofundamento nos temas relacionados à cultura popular, sempre pensei em desenvolver meu projeto de conclusão de curso sobre alguma dessas manifestações. Porém, na época que comecei a pensar no tema que eu desenvolveria, haviam poucas festas acontecendo no estado e isso comprometeu meus planos. Decidi então documentar a atividade de rezadeiras e benzadeiras.
Inicialmente, a ideia (megalomaníaca, eu sei) era mapear as rezadeiras e benzadeiras da Maré. Pela falta de tempo que eu tinha disponível e dificuldade de se fazer essa pesquisa – quase etnográfica -, fui aconselhado pelo Ripper (fotógrafo idealizador do projeto Imagens do Povo e da Escola de Fotógrafos Populares) a recortar meu projeto. Cheguei então, com a ajuda de alguns amigos da Escola que me forneceram os contatos de algumas benzadeiras da Maré, a personagem principal do meu projeto: Dona Elza. Iniciei uma série de visitas à casa de Dona Elza e recolher de suas memórias informações que facilitassem a apreensão dos símbolos e significados contidos no ato da benzedura, me tornando então quem sabe, talvez capaz de, como diria Bresson, alinhar os olhos, a cabeça e o coração e produzir um registro que seja capaz de contar uma bela história desses saberes e fazeres tão antigos e ao mesmo tempo tão vivos em muitos lugares do país.
Durante o desenvolvimento deste projeto, também minhas lembranças foram evocadas. Toda a minha família se viu envolvida num processo de recolhimento dessas memórias, já que eu, na minha infância, fui também bastante rezado.
O mais gratificante pra mim foi perceber que através do meu encontro com Dona Elza, nós dois melhoramos como ser humanos. Ela incorporou novas rezas que foram apresentadas por mim através dos livros resgatados pela minha mãe e eu sinto que estou fechando um ciclo na Escola, onde percebo que, além de ter conseguido me virar tecnicamente para produzir o projeto, pude também me aprofundar nas questões humanas que estão envolvidas no tema, como sempre pretendi que fosse.













Fotos © Lúcio Enrico

Fotógrafos do Povo



Fotógrafos do Povo

Jan 15th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

O autor

Leonardo Silva nasceu e se criou na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Hoje, com 21 anos, Léo está se formando no curso da Escola de Fotógrafos Populares da Maré e participa do coletivo fotográfico Favela em Foco, formado por alunos da escola.
Além do talento fotográfico que desenvolveu na Escola, Léo gosta de escrever e criou um diário onde registra todo o desenvolvimento do projeto de conclusão de curso na Escola de Fotógrafos Populares.




Meu projeto:

O meu projeto se chama Neném e os caçadores de Pipa do Jacarezinho. A idéia é documentar o dia-a-dia do personagem Neném, que, assim como eu, também mora no Jacarezinho desde que nasceu, registrando sua paixão pela pipa, inserindo no contexto dos “soltadores” de pipa da comunidade em que moramos.
Desde a minha infância eu observava da laje da minha vó o Neném – que possui uma deficiência mental – praticando seu hobby e ficava curioso para entender a relação desse garoto com a pipa. Desta forma, o projeto foi quase um pretexto para que eu me aproximasse desse personagem tão interessante e pudesse me aprofundar mais na história de vida dele, da sua família, dos amigos. Por coincidência, neste ano de 2009, eu li meu primeiro livro: O caçador de Pipas, do escritor Khaled Hosseini, e isso aguçou ainda mais minha curiosidade sobre o tema e reforçou a vontade de levar o projeto adiante.
Percebi que minha relação com a fotografia é muito parecida com a que o jovem Neném tem para com suas pipas. Quero de manhã, quero de tarde, e porque não de noite. Eu sonho com fotos, com fotografia.
Eu pretendo mostrar com esse projeto como as pessoas podem superar suas dificuldades com a entrega a algo que lhes proporcionem prazer e mostrar a importância da cultura da pipa nas favelas aqui do Rio de Janeiro.
Esse é um projeto que eu pretendo não parar com a conclusão do curso, tenho vontade de continuar fotografando a temática das pipas nas comunidades e me aprofundar ainda mais na vida do Neném. Estou muito satisfeito com a relação que eu criei com seus familiares, que me acolheram com muito carinho e tenho aprendido muito com todos eles, e essa é uma experiência muito importante pra mim. Eu acredito assim que a história tem mais valor que a própria fotografia.
Agradeço muito à escola de fotógrafos e a toda essa galera que me ajudam a ser, cada vez mais, essa pessoa que sou. Nada teria acontecido se não fossem meus amigos e os professores que me deram e que me dão a maior força para continuar a caçar esses sonhos, como se fossem pipas de um Neném.













Fotos © Léo Lima

Fotógrafos do Povo



Fotógrafos do Povo

Jan 14th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

O autor

Josy Manhães tem 30 anos e nasceu no tradicional bairro do Estácio – RJ, mas há 6 anos mora no Morro do Cantagalo. Foi na associação de moradores da comunidade que Josy descobriu o curso de fotografia da Escola de Fotógrafos Populares na Maré – na época, participava do projeto de documentação das obras do PAC nas comunidades do Rio de Janeiro. Atualmente Josy concilia o curso na EFP com a cobertura fotográfica de eventos e o monitoramento de alunos do mesmo curso em que iniciou suas experiências como fotógrafa, no Cantagalo. O ano de 2009 foi especialmente produtivo para Josy, que ainda teve fotos suas publicadas esse ano no livro Memórias do PAC.



O projeto

Ainda não decidi qual será o título do meu projeto, mas se trata de uma documentação fotográfica de um esporte pouco conhecido no Brasil: O rugby.
Na verdade, eu também conhecia pouco do esporte até decidir que esse seria meu tema, e, pra falar a verdade, tinha até uma antipatia preconceituosa. Resolvi então que fotografaria o rugby como um desafio pessoal, que era conhecer mais sobre o assunto e tentar quebrar esse preconceito. Hoje eu até gosto do esporte, apesar de não praticá-lo, e me interessei bastante sobre as regras. Tenho alguns parentes e amigos que descem o morro para praticar o rugby na praia de Copacabana com gente de todo o tipo, várias nacionalidades, raças, classes sociais; foi exatamente essa diversidade que me instigou e que despertou em mim o desejo de desenvolver esse meu projeto.
Minha principal intenção é registrar a paixão desenvolvida por um esporte tão incomum no país através das expressões e da diversidade dos praticantes. Escolhi, assim, que as fotos fossem em preto e branco para que o trabalho não ficasse disperso e eu conseguisse focar as ações, sem diferenciar os times e esportistas.













Fotos © Josy Manhães

Fotógrafos do Povo



Fotógrafos do Povo

Jan 13th, 2010 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Quem sou eu:

Chapolin, tem 27 anos e há 3 anos mora numa ocupação da Zona Portuária do Rio, chamada Flor do Asfalto. Descrente do sistema de trabalho utilizado pela sociedade atual, Chapolin se considera um Anarcopunk – que tem sua filosofia baseada na expressão “Faça você mesmo!” – e desenvolveu um meio de sobrevivência independente, publicando suas produções literárias, pinturas e colagens e que têm sua divulgação feita na rua, propondo a aquisição desses produtos através de troca, da forma de escambo.
Chapolin está envolvido em movimentos de ocupações desde o Chiquinha Gonzaga (referência de ocupação aqui do Rio, que fica na região da Central), há 7 anos atrás e também participa de atividades de reciclagem e reaproveitamento de materiais e alimentos, que garantem a sustentabilidade da comunidade onde vive. Essa sua vivência com formas alternativas de trabalho foi decisiva na escolha do tema do projeto que está desenvolvendo para a conclusão do curso de fotografia da Escola de Fotógrafos Populares.




Projeto:

Meu projeto tem o nome de Tripalium, que significa o instrumento de tortura escrava composto por três paus e origem da palavra trabalho.
Para o projeto, tenho fotografado trabalhadores da construção civil e, contrapondo a esse sistema de trabalho que considero injusto, estou fotografando também os malabaristas de sinal que ficam mangueando (que na origem popular da palavra significa correr atrás do próprio sustento à margem de uma estrutura) pelas ruas do Rio.
Uma vez, numa aula do Dante na Redes (Rede de Desenvolvimento da Maré), vi exposta num quadro a estrutura de uma pirâmide que indicava que 2% da população era da burguesia e 40% de trabalhadores. Fiquei imaginando aonde estaria o resto dessa grande parcela da população “ociosa”. Essa indagação produziu em mim um start e pensei que poderia relacionar essas faixas da pirâmide através do contraponto das formas de trabalhos que eu identificava ao ver vários serviçais da construção civil, uniformizados, completamente iguais, os malabaristas do sinal e a figura do patrão, normalmente associada à figura da caneta.
Então, ao desenvolver esse meu projeto, penso em como posso melhorar todas as minhas formas de linguagem, minha comunicação, e valorizar um grupo de pessoas que é casa vez mais marginalizado, além de desconstruir e indagar sobre essa forma primitiva de trabalho.













Fotos © Chapolin

Escola de Fotógrafos Populares

O objetivo que norteia o trabalho da Escola de Fotógrafos Populares vai além de iniciar jovens no ofício da fotografia e articular seu ingresso no mercado de trabalho. O foco crítico consiste em formar documentaristas fotográficos capazes de desenvolver um trabalho de registro dos espaços populares, re-visitando a história de suas comunidades e estimulando a afirmação de seus vínculos identitários, assim como a legitimação de suas trajetórias de vida no espaço mais amplo da cidade.

Post Scriptum

Marizilda Cruppe fez a ponte e Ratão Diniz enviou as fotos. Chapolin é só o primeiro a aportar aqui. Outros virão. Pictura agradece e parabeniza a galera da Imagens do Povo pelo belíssimo trabalho. Simplesmente emocionante!



Angola de Neni Glock

Dec 7th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Amigo, foto. Ya… Olha eu aqui também…

Por Neni Glock

Acho que está a se tornar cada vez mais dificil fotografar hoje em dia.
Nos cenários urbanos as pessoas são desconfiadas, arredias, vêem a fotografia e o fotógrafo como um invasor, como algo mal. Nos bairros dos países mais pobres, por outro lado, enxergam na pessoa com a camera, a oportunidade de ganhar um dinheirinho É jornalista e deve ganhar muito com estas fotos, argumentam.



Se fosse pagar por cada foto que faço, deixava de as fazer.
Estive recentemente em Angola, primeiro em Luanda, onde sacar de uma camera no centro da cidade pode ser motivo legítimo para ficar sem ela, nem tanto pela ação de marginais, mais por repressão da lei. É proibido fotografar em Angola, a não ser que se esteja devidamente autorizado e por motivos justificáveis. A fotografia mete medo. É uma arma. Porém isto nem sempre foi assim. São sinais do tempo que vivemos, de desconfianças e medos gerados pela mídia, medo de pedófilos, de sequestradores, ladrões, e do uso abusivo e indevido da imagem alheia.



Ao contrário dos fotógrafos que procuram registros mais impactantes, normalmente marcados pela violência e pelas injustiças sociais, volto o meu olhar para motivos mais amenos, sinto-me incapaz de registrar cenas de violência.
Gosto de fotografar pessoas, fotografar a vida e não a morte.



Podem pensar que esta minha visão, apesar de ser também documental, não representa a realidade, mesmo porque o cenário de minhas melhores fotos geralmente são em África e regiões mais pobres do Brasil, onde a alegria e a serenidade demonstrada no momento do clic, não condizem nada com o background de miséria. Mas, o que vejo através da lente é a realidade, pelo menos naquele instante.



Aprendi, depois de uma infância e adolescência perfeitamente ingênuas e fantasiosas – sequer tinha noção de que vivia em uma ditadura – que a realidade afinal podia ser também muito má, bastava abrir os jornais para ver as barbaridades de que somos capazes. Descobri então, um pouco tardiamente, que o mundo não é uma eterna brincadeira e, os revolveres que no coldre do Roy Rogers lhe acentavam tão bem, são de pólvora seca e matavam a fingir, os outros, ao contrário, que andam em mãos erradas, matam de verdade e é pra sempre.



Nunca sofri uma violência direta, sou um privilegiado reconheço, e com o passar dos anos aprendi outra coisa importante, afinal a vida não é só a violência e miséria estampadas nos jornais sensacionalistas.
Mesmo que não sejamos capazes de mudar o mundo como gostariamos, sinto necessidade de preencher-me com estas visões mais otimistas, não como uma fuga a realidade, é impossível estar-se alheio a ela, antes como uma necessidade do espirito em cultivar boas emoções e retratá-las.
E como prêmio me foi dado conhecer o Huambo, mais precisamente o Município da Ecunha no sul de Angola, a seiscentos quilometros da caótica Luanda, um destes paraísos para os fotógrafos que buscam sorrisos, sorrisos brancos e sinceros, sem dúvida!



Amigo, foto. Ya… Olha eu aqui também…
Ecunha foi batizado pelos portugueses nos tempos coloniais, como Vila Flôr, isto derivado do fato de ser uma zona onde se produzia muita batata e, na época de floração, os campos ficavam cobertos das flores brancas e azuis das plantas de batata. Por esta razão era também conhecida na Angola colonial com a “Rainha da batata”.



O clima é tropical de altitude, temperado quente, com uma temperatura média anual de cerca de 19ºC, cerca de 12ºC de mínima e máxima de 26ºC. o que permite a exploração agrícola da terra durante todo o ano.
Entretanto vieram as guerras e tudo ficou do avesso. Foram anos de sofrimento e luta, mas, com a paz finalmente assente, o sorriso fácil voltou ao rosto desta gente amiga.
As pessoas de fora são recebidas com um misto de curiosidade e simpatia desconcertante,
principalmente no interior e nas aldeias de mais difícil acesso. Respondem com vénias ao aceno dado. Obrigado, dizem eles, obrigado, enquanto se afastam sempre a sorrir.



Todos querem ser retratados, e as poses se sucedem a cada passo, ora mais sérias e controladas entre os adultos, ou a criar cenas de lutas bem humuradas como é próprio dos meninos. As meninas, mais recatadas, esboçam sorrisos tímidos mas não deixam passar a oportunidade de se verem retratadas, nem que seja apenas no visor da camera digital. É uma festa e uma alegria espontânea da qual não se pode negar.
As cores berrantes de seus trajes em contraste com a pele bem negra, os sorrisos largos, a magia de uma terra rica em sua natureza, e a postura cordial e genuína do povo que já só se encontra nestes locais longíncuos, dizem mais do que qualquer palavra que possa ser dita e fotos que possam ser tiradas.



Estas são algumas das muitas fotografias que fiz nos intervalos das filmagens, que foi o que realmente fui fazer por aquelas paragens e, onde senti-me perfeitamente em casa, a ponto de tirar os sapatos e andar com os pés descalços como a muito não o fazia.


Fotos © Neni Glock



As imagens de Luciano Candisani para você leitor

Jul 27th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Essa nota começa em 11 de 2008 na nota Rodrigo Baleia conta suas histórias na NG. lá no bom e velho Bloco de Notas.

Amigos, por favor, digam ao Izan Petterle que eu gostaria muito de publicar o material de Cordisburgo, afinal este blog anda à cata de material sobre Guimarães Rosa.
E claro, Luciano Candisani é muito bem-vindo também.
Abraços e boas histórias.


Izan Petterle já saiu aqui algumas vezes, o material de Cordisburgo ainda não.

E com Luciano troquei vários e-mails, até que chegou o dia, hoje. Resumo da ópera: eu pedi e Luciano gentilmente enviou 10 imagens especialmente pra você leitor de Pictura.




















Fotos © Luciano Candisani

O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Caro Luciano, primeiro, muito obrigado. Segundo, essa nota demorou tanto a sair que a equipe dos “blogueiros” da NG agora conta com mais um membro. Por favor, diga ao João Marcos Rosa que ele também é benvindo.
Grande abraço.



“Seu Xico” de Luiz Eduardo Achutti…

Jul 18th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial















Última Foto


Fotos © Luiz Eduardo Achutti

Achutti comentou na nota “Uma lágrima para Xico Stockinger”

Juan, bela homenagem.
Como bem sabes eu estava próximo dele nos últimos quatro anos, ele era uma figuara íntegra e invejável. Outro dia disse aos meus alunos que eu queria ter a metade da força e do saber viver do Xico. Fiquei muito triste. Uma semana antes, fui ao seu atelier da Vila Nova dar-lhe de presente duas fotos da minha exposição do Margs quando do lançamento do meu livro em sua homenagem. Fotos grandes que mal cabiam no carro, um retrato e uma outra imagem dele soldando. Queria ter fotografado o rosto de felicidade dele ao me ver rasgando as embalagens. O retrato coloquei na parede do atelier e a outra foto ele levou e colocou na sua casa. Na ocasião fiz as últimas fotos dele.
Quando o Xico, há muitos anos, foi enterrar seu amigo jornalista Josué Guimarães, saiu brabo dizendo que ele estava de boca aberta, que não queria no seu enterro caixão aberto. A família cumpriu seu desejo. Na última hora alguém lembrou de retirar da parede a foto dele soldando. As pessoas rezavam no caixão olhando para a minha foto do Xico trabalhando. Foi tudo muito triste.
A fotografia nos leva, nos enleva e nos surpreende várias vezes, mas também nos faz sofrer muito.
Abraços.


Eu pedi ao Kadão a foto…

Meu caro Claudinho,
Andei trocando mails com o Achutti e ele me disse que vcs gostariam de ter a baita foto do velório do Xico Stockinger feita pelo Fernando Gomes, de Zero Hora, em que aparece, além do caixão, a ótima foto do escultor trabalhando, by L.E.Achutti. Então falei com o FG e ele gentilmente autorizo-me a mandar a foto p/vcs. Aí está ela, portanto.



© Fernando Gomes/Zero Hora

Com tanta homenagens e tantas fotos bonitas, tenho certeza que seu Xico está feliz!



Polaroid e Pinhole, bela combinação

Jun 5th, 2009 | Por PicturaPixel | Categoria: Especial

Olá Claúdio,
pra emendar na polaroide session mando alguns dos meus pinholes…
Grande abraço

















Fotos © Marcelo Saraiva



O Hawaii é aqui…

May 15th, 2009 | Por PicturaPixel | Categoria: Especial

O Hawaii do surf
Felipe Câmera

Todo mundo sabe que o Hawaii tem belas praias com ondas perfeitas para o surf. É uma das formações com linhas tubulares mais clássicas e perfeitas do mundo. São nessas praias que se encontram os melhores surfistas e os principais campeonatos de surf do planeta!
Tubos mágicos que encantam os surfistas e que mudam a percepção da vida de quem surfa aqui.
Nomes famosos como, Sunset Beach, Waikiki e Waimea ajudam a formar esse paraíso.
Nessas praias, muitos vão para aprender o significado dessa magia que o esporte oferece. E outros para renovar o equilíbrio do contato direto entre o ser humano e a natureza.
Tudo isso envolvido com lindas águas transparentes e luzes tão perfeitas como as ondas ao cair da tarde.
















Fotos © Felipe Câmera

Veja mais 4 belas fotos de Felipe Câmera. A última é imperdível, literalmente uma viagem!
(more…)



O Fogaréu de Dida Sampaio

Apr 11th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Os encapuzados, que lembram seguidores da organização racista Ku Klux Klan, na verdade são farricocos – homens de capuz representando soldados romanos na perseguição a Cristo. A história, revivida em um cenário de fantasia e fé, é o ponto alto da procissão do Fogaréu, uma tradição que marca a celebração da Semana Santa na cidade de Goiás. Trazida para o Brasil pelo padre espanhol João Perestelo em 1745, a Via Sacra iluminou a madrugada da última quinta-feira (09/04/2009). Celebração midiática, a cidade transforma-se na Disney da fé.
Dida Sampaio
















Fotos © Dida Sampaio

Dida Sampaio aqui no blog



“Sou Filho da Rua”

Mar 18th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Por Wank Carmo – Fotógrafo
A rua é minha amiga
A rua é minha amante
A rua é minha mestra
A rua é minha cura
A rua é do povo
Por isso a rua é minha vida e minha casa




“Faça aguaceiro ou faça fogo celestial; serene manso ou faça muito frio, estou sempre debaixo do teto natural – que o desgraçado do homem teima em destruir, com seus carros e suas bombas e outras flatulências-, para documentar a paixão do povo pela vida. A escolha é minha e quem me ajuda a construir meu caminho, são minhas parceiras e parceiros, amantes das arruaças sagradas da vida.”
Ontem me lembrava de minha mãe me levando pela mão até os cinemas do Rio, para ver bons filmes, num período em que a ditadura militar não havia ainda, enfiado suas garras no pescoço da democracia. Não preciso fazer regressões científicas no tempo para perceber porque desejei seguir a carreira de fotógrafo, e, iniciando os meus enquadramentos sempre usando o contra luz. É, em 74, com uma máquina de plástico já usava filme preto e branco instintivamente, que foram revelados sabe lá por quem. Não me lembro. Gostaria de poder me lembrar.
Os tempos se passaram e, em 78, entrei de uma vez, neste barril dos prazeres e até hoje, abasteço-me do néctar da paixão pelas imagens. De cara, preferi a rua. E adotei minha segunda mãe. Isto. A rua. Sou filho dela. (Filho da Rua será o título de minha próxima exposição).
A rua além de se tornar minha segunda mãe, passou a ser também minha analista. Nela, aprendi a ler o mundo e seus caracteres. Não preciso pagar por nem um milésimo de segundo de alívio mental quando estou sentindo os odores das vielas, becos, ruas e avenidas. O meu lance às vezes é a muvuca; em outros momentos, as ruas cálidas e aconchegantes dos casais de namorados; em outros momentos, as vidas ensopadas pelas chuvas amazônicas e dos desvalidos de algumas coisas.



É neste universo, nos períodos de minhas perambulações sagradas, que resolvi registrar também, alguns signos carregados de energia e emoção: as festas populares. Comecei a brincar de viver estes momentos, observando e respeitando a maneira dos seres humanos levarem a vida. Assim, exercitando a maneira de ver o que não é óbvio, gravei em filme e em cartão digital, o movimento humano em Boa Vista- Roraima – Amazônia – Brasil, com suas festas juninas, a Festa do Divino Espírito Santo 2008 e o Tambor-de -Crioula na adocicada praia grande, em São Luis do Maranhão e as festas religiosas em Cuiabá.
Sob o sereno amazônico de 2008, precisamente em São Luiz, este trabalho tem uma particularidade: quando fui ao encontro da festa, decidi que iria organizar as imagens no pique fotojornalistico: “Fez bem, fez, não fez, reprovar-me-ei.” Assim, dei-me por satisfeito em me juntar ao imagético e frenético banquete dos mortais, vendo-os rodopiarem como piões nas festas que nunca nos cansa com seus replays rejuvenescedores da alma humana.
Nesse 2009, sob a mesma intensidade do sereno, irei entrar madrugada adentro para sentir e ouvir, os cânticos de meu povo brasileiro e seus beijos, embriagados no néctar da paixão pela vida.












Fotos © Wank Carmo

Veja mais 4 fotos de Wank Carmo Fotógrafo.
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Coréia. Uma guerra americana.

Mar 12th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Blog, Especial

Claudio, estava navegando e procurando fotos…cruzei com este blog.

Quem cruzou com o blog coreano foi o amigo José Pequeno. As imagens são impressionantes, além da máquina de guerra dos Estados Unidos da América em fotos oficiais, se pode ver por ali a cara feia da guerra e da morte.


With her brother on her back a war weary Korean girl tiredly trudges by a stalled M-26 tank,
at Haengju, Korea. June 9, 1951.
© Maj. R.V. Spencer, UAF. (Navy)


Two North Korean boys, serving in the North Korean Army, taken prisoner in the Sindang-dong area by elements of the 389th Inf. Regt., are interrogated by a U.S. soldier shortly after their capture.
September 18, 1950.
© Pfc. Francis Mullin. (Army)


Pfc. Thomas Conlon, 21st Inf. Regt., lies on a stretcher at a medical aid station, after being wonunded while crossing the Naktong River in Korea. September 19, 1950.
© Cpl. Dennis P. Buckley. (Army)


How a man died on the way to Maeson Dong. September 2, 1950.
© Sgt. Turnbull. (Army)


Marilyn Monroe, motion picture actress, appearing with the USO Camp Show, “Anything Goes,” poses for the shutterbugs after a performance at the 3rd U.S. Inf. Div. area. February 17, 1954.
© Cpl. Welshman. (Army)


Missouri infantrymen with the 19th Inf. Regt. along the Kumsong front wish Happy New Year to the stateside folks. December 14, 1951.
© Cpl. Mervyn Lew. (Army)

A GUERRA DA CORÉIA

O conflito iniciou-se em 25 de julho de 1950, quando tropas norte-coreanas ultrapassaram o paralelo 38o e dominaram a cidade de Seul. Dois dias depois os Estados Unidos enviaram suas tropas para defender a Coréia do Sul, sob o comando do General Douglas Mac Arthur, responsável por reconquistar os territórios dominados e invadiu o Norte, avançando até a fronteira com a China, com o objetivo de conquistar toda a Coréia do Norte. No entanto, em novembro a China entrou na guerra, apoiando os norte coreanos e foi considerada como agressora pela Nações Unidas; mesmo assim, continuou seu avanço em direção à Seul, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos intensificaram sua presença militar.
Em 1952, temendo um novo conflito mundial, os EUA adotam uma política defensiva, preocupada em preservar a Coréia do Sul sob sua influencia, aceitando a separação do norte; além disso, os gastos com a guerra e a elevada mortalidade foi determinante para a assinatura de um armistício em 27 de julho de 1953, suspendo o conflito, mas não as hostilidades. As Coréias estavam separadas.


Amigo José Pequeno, do lado de cá da tela, eu agradeço, Gracias!

Amigo leitor, você também deveria agradecer ao Pequeno que se deu ao “trabalho” de enviar o enlace. E porque agradecer? Simples. Quando a gente recebe um presente, a gente agradece. Não pense que o José Pequeno mandou o pacote para mim. Ele mandou para você. Pictura só está repassando a encomenda.

E como eu gosto de retribuir, aqui vai um pouco mais da monumental máquina de guerra de Tio Sam.


Why we fight
Uploaded by thelastshark

O documentário inteiro você pode assistir aqui.

Procure por Why We Fight – http://documentariestowatch.blogspot.com/ no menu de opções.

Bônus de 8 minutos com legendas em espanhol…



São Paulo de Carlos Cazalis no World Press Photo.

Mar 8th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial

Eu pedi e Cazalis gentilmente mandou o ensaio “Homeless São Paulo” que ganhou o primeiro lugar no World Press Photo na categoria Contemporary Issues. Pictura agradece ao amigo.

O website de Cazalis aqui.
Aproveite e veja os casamentos de Cazalis.


Fotos © Carlos Cazalis

O Brasil de vez em quando dá preguiça. Mas ver esses trapos humanos de Cazalis dá é muita tristeza e chego a duvidar que dias melhores virão.

Veja mais 4 fotos do ensaio premiado…

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O Walter Firmo de Ricardo Chaves.

Feb 26th, 2009 | Por Claudio Versiani | Categoria: Especial


© Walter Firmo

Sensibilidade Brasileira

Por Ricardo Chaves


Uma das paredes da área ocupada pela Editoria de Fotografia, aqui na redação de Zero Hora, é ornamentada por 15 retratos de fotógrafos. Alguns aparecem segurando suas câmeras, em plena atividade, como Cartier-Bresson ou Ansel Adams. Outros foram flagrados caminhando ou simplesmente encarando o colega que os fotografava. Todos eles são ídolos, exemplos e referências, cuja presença estática garante um certo estímulo à equipe que diariamente se encarrega de produzir as imagens que vão ilustrar as páginas do jornal. Nessa galeria, temos dois brasileiros: Sebastião Salgado e Walter Firmo.
Walter Firmo Guimarães da Silva nasceu no Rio de Janeiro em 1937. Filho de dona Maria de Lourdes e do fuzileiro naval José Baptista. Aos 71 anos, com mais de 50 de fotografia, Firmo visitou outra vez Porto Alegre no último fim de semana para mostrar seu trabalho e ensinar o que sabe. O pai negro, a mãe branca e o sobrenome Silva talvez dêem uma primeira pista, para quem quiser conhecer, ainda melhor, esse extraordinário artista brasileiro citado na Enciclopédia Britânica.
Quando em 1985 ele fez a foto “Minha Família” (em que incluiu seus pais e seus filhos) foi inevitável a imediata associação com a pintura A Família do Fuzileiro Naval, de 1930, do pintor fluminense Alberto da Veiga Guignard (1896 – 1962).



A propósito: um texto (lamentavelmente não-assinado) de apresentação de uma exposição de Guignard,em 2007, talvez seja uma boa forma de descrever também o trabalho de Walter Firmo. “Muitas cores, fina estampa, olhares seguros, crenças, sonhos, esperança… As personagens da obra de Guignard (Firmo) não falam de um povo negro vencido, mas da ascensão do homem negro, das crianças e mulheres que valorizam a sua cultura e superam o preconceito racial. Menos por engajamento político e mais pela sensibilidade do artista aos sofrimentos e às alegrias do povo, Guignard (Firmo)…” construiu uma obra e tanto.


© Ricardo Chaves

Muito antes que eu ouvisse do mestiço Obama o alerta para propostas acima do preto & branco, Walter Firmo, usando muita cor, declarava: – Para mim, a cultura de um país acontece de dentro para fora, da pessoa para a multidão.
Conquistou meu coração e o merecido espaço no nosso local de trabalho.

Ricardo Chaves
Editor de Fotografia de Zero hora

PS: Texto publicado no jornal Zero Hora em novembro de 2008.